O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), intensificou as articulações políticas para permanecer no comando da Casa a partir de 2027. O senador busca reunir votos para garantir sua reeleição, independentemente de quem vença a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo reportagem publicada pelo g1 neste domingo (18), Alcolumbre já trabalha nos bastidores para construir uma maioria entre os parlamentares que integrarão a próxima legislatura.

A movimentação ocorre em um momento de fortalecimento do Partido Liberal no Senado, o que pode dificultar os planos do atual presidente da Casa.

PL PRETENDE LANÇAR CANDIDATO PRÓPRIO

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, declarou que o partido não pretende apoiar a reeleição de Alcolumbre e deverá apresentar o senador Rogério Marinho (PL-RN) como candidato à presidência do Senado.

A legenda conquistou 19 cadeiras nas eleições de 2026 e terá a maior bancada da Casa na próxima legislatura.

Com esse crescimento, o partido busca ampliar sua influência sobre a definição das pautas legislativas e a condução dos trabalhos do Congresso Nacional.

Apesar da posição anunciada pela direção do PL, Alcolumbre aposta em negociações com diferentes grupos políticos, incluindo integrantes de partidos de centro e parlamentares da oposição.

APROXIMAÇÃO COM O GOVERNO LULA

Nos últimos dias, Alcolumbre também adotou medidas que favoreceram a tramitação de propostas defendidas pelo governo federal.

Um dos principais exemplos foi a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, permitindo a redução gradual da jornada semanal.

A proposta recebeu amplo apoio no Senado e foi promulgada pelo Congresso Nacional na sexta-feira (16), em cerimônia com a participação do presidente Lula.

A articulação em torno de pautas de interesse do Executivo é vista nos bastidores como parte da estratégia de Alcolumbre para fortalecer relações políticas e ampliar sua base de apoio.

DISCUSSÃO COM ROGÉRIO MARINHO NO SENADO

A disputa pela presidência da Casa também ficou evidente durante uma sessão realizada na quinta-feira (15).

Na ocasião, Alcolumbre e Rogério Marinho protagonizaram um confronto verbal após a retirada da PEC da Segurança Pública da pauta de votação.

Marinho questionou os motivos do adiamento e perguntou se a decisão havia sido tomada a pedido do governo federal.

Alcolumbre respondeu que a retirada ocorreu por determinação da própria Presidência do Senado.

O episódio evidenciou as divergências entre os dois parlamentares, que poderão disputar o comando da instituição na próxima legislatura.

QUEM SERÁ PRESIDENTE DO SENADO EM 2027?

A escolha do presidente do Senado será realizada em fevereiro de 2027, por meio de votação entre os 81 senadores.

Para vencer a eleição, um candidato precisa obter a maioria absoluta dos votos, equivalente a pelo menos 41 apoios.

O presidente da Casa exerce papel central na organização das atividades legislativas, na definição da pauta de votações e na condução de processos políticos de grande relevância nacional.

Embora o PL tenha ampliado sua representação, a eleição dependerá de negociações entre diferentes bancadas, já que nenhum partido possui sozinho os votos necessários para garantir o comando do Senado.

Alcolumbre pretende utilizar sua experiência política e as alianças construídas ao longo do mandato para viabilizar a permanência na presidência, seja em um eventual novo governo Lula ou sob uma administração de Flávio Bolsonaro.

As negociações deverão ganhar intensidade após o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.

📰 Fonte: g1 / Folha de S.Paulo / Senado Federal
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