A Polícia Civil de São Paulo afastou temporariamente cinco servidores públicos neste sábado (17), após suspeitas de concessão de privilégios ao ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), preso na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
A decisão foi determinada pelo delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, após depoimentos prestados à Corregedoria da corporação.
Entre os afastados estão três delegados, um investigador e um carcereiro. A medida busca preservar a imparcialidade das investigações e evitar possíveis interferências na apuração.
SUSPEITAS DE VISITAS IRREGULARES E TRATAMENTO DIFERENCIADO
O Ministério Público de São Paulo investiga se Milton Leite recebeu benefícios incompatíveis com as regras da unidade prisional, incluindo visitas fora dos horários permitidos, entrada de refeições externas e acesso a objetos não autorizados.
Entre os visitantes mencionados nas investigações estão políticos e pessoas ligadas a lideranças partidárias.
A delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarette Barreto, afirmou em depoimento que a entrada de refeições externas e a instalação de uma televisão haviam sido autorizadas pelo juiz-corregedor.
Ela também declarou ter conhecimento de visitas realizadas pelo deputado estadual Delegado Olim e pela esposa do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Segundo o Ministério Público, o próprio dirigente partidário também esteve na unidade.
A Corregedoria apura se houve descumprimento das normas de visitação e omissão na comunicação dessas entradas.
MAIS DE R$ 200 MIL SÃO APREENDIDOS COM CARCEREIRO
Durante a Operação Custódia (In)Fiel, realizada pelo Ministério Público, foram apreendidos aproximadamente R$ 155 mil em espécie e US$ 10 mil com um carcereiro suspeito de facilitar benefícios irregulares na unidade.
Os valores em dólares correspondiam a aproximadamente R$ 50 mil na cotação informada pela imprensa, elevando o total apreendido para mais de R$ 200 mil.
Os investigadores apuram a origem do dinheiro e a possível relação dos valores com a concessão de privilégios.
Também foram encontrados dois aparelhos celulares na cela de Milton Leite, conforme informações divulgadas pela imprensa.
CORREGEDORIA INVESTIGA CONDUTA DOS SERVIDORES
A Corregedoria da Polícia Civil instaurou procedimentos para analisar a atuação dos servidores e verificar possíveis irregularidades administrativas e criminais.
As apurações incluem suspeitas de corrupção ativa, corrupção passiva e prevaricação.
O afastamento dos policiais é uma medida administrativa temporária e não representa conclusão de culpa.
POR QUE MILTON LEITE ESTÁ PRESO?
Milton Leite está preso temporariamente desde setembro, no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público de São Paulo.
O Ministério Público apura possíveis vínculos entre integrantes da organização criminosa, empresas de ônibus e agentes políticos.
A Justiça prorrogou a prisão temporária do ex-vereador por mais 30 dias, enquanto as investigações continuam.
DEFESA NEGA PRIVILÉGIOS
Os advogados Aloísio Medeiros e Rodrigo Araújo, responsáveis pela defesa de Milton Leite, negam que o ex-parlamentar tenha recebido qualquer tratamento diferenciado durante o período de detenção.
A defesa também rejeita as acusações de envolvimento com organização criminosa e afirma estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
As investigações seguem em andamento, sem conclusão definitiva sobre as responsabilidades dos envolvidos.
📰 Fonte: Folha de S.Paulo / UOL / Ministério Público de São Paulo
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