O líder de uma seita apocalíptica no Quênia, Paul Mackenzie, foi considerado culpado pelo assassinato de 191 pessoas, sendo 190 crianças e um adulto. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (19) por um tribunal da cidade de Mombasa, no país africano.

Segundo a Justiça, Mackenzie ordenava que seus seguidores submetessem os próprios filhos a jejuns extremos até a morte, sob a crença de que, dessa forma, poderiam encontrar Jesus.

Outros 28 integrantes da liderança da seita também foram condenados. Todos negaram as acusações e afirmaram que ninguém havia sido obrigado a jejuar.

MAIS DE 400 CORPOS ENCONTRADOS

O caso ganhou repercussão internacional em 2023, quando autoridades descobriram centenas de corpos enterrados em covas rasas na floresta de Shakahola, onde a comunidade religiosa vivia isolada.

Mais de 400 corpos foram encontrados durante as buscas. As investigações apontaram mortes por desnutrição, asfixia e outros tipos de violência.

CRIANÇAS ERAM AS PRINCIPAIS VÍTIMAS

Durante o julgamento, testemunhas relataram que crianças eram impedidas de receber alimentação e cuidados médicos.

A doutrina de Mackenzie também condenava a educação formal e classificava tratamentos médicos modernos como malignos.

Segundo a juíza Diana Mochache, os seguidores acreditavam que o líder religioso transmitia diretamente as mensagens de Jesus.

RELATOS DE SOBREVIVENTES

Stephen Mwiti, de 48 anos, contou à BBC que perdeu seus seis filhos na seita. Ele afirmou que conseguiu localizar e sepultar os restos mortais de apenas um deles.

Outro sobrevivente relatou que ficou gravemente doente porque sua mãe, seguindo as orientações religiosas, descartava os medicamentos necessários ao tratamento.

SENTENÇA SERÁ DEFINIDA EM NOVEMBRO

Mackenzie, preso desde 2023, também responde a outros processos envolvendo suspeitas de terrorismo e violações de direitos de crianças.

A sentença dos condenados está prevista para 6 de novembro.

📰 Fonte: BBC / Reuters / Associated Press
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