A França enfrentou uma das maiores ondas de protestos dos últimos anos neste sábado (17). Manifestações contra o aumento do custo de vida e a precariedade dos serviços públicos reuniram centenas de milhares de pessoas e terminaram em confrontos com a polícia, incêndios, depredações e prisões em diversas cidades do país.

Segundo balanços divulgados neste domingo (18), mais de 1.800 pessoas foram detidas e mais de 500 integrantes das forças de segurança e equipes de emergência ficaram feridos. Uma pessoa também morreu após sofrer uma parada cardíaca durante os protestos em Paris.

As manifestações ocorreram em cidades como Paris, Marselha, Lyon, Bordeaux e Limoges, ampliando a pressão sobre o governo do presidente Emmanuel Macron.

MAIS DE 500 MIL PESSOAS FORAM ÀS RUAS

De acordo com estimativas divulgadas pelas autoridades francesas, aproximadamente 550 mil pessoas participaram dos atos. Os organizadores, por sua vez, calcularam um público de até 800 mil manifestantes.

O movimento começou em setembro, quando estudantes passaram a protestar contra a falta de professores e as condições inadequadas de escolas, especialmente em regiões mais pobres.

Nas semanas seguintes, as reivindicações ganharam força e passaram a incluir críticas ao aumento dos preços, à desigualdade social e à deterioração dos serviços públicos.

Sindicatos, trabalhadores, aposentados e integrantes do movimento dos Coletes Amarelos também aderiram às mobilizações.

CONFRONTOS, INCÊNDIOS E DEPREDAÇÕES

Embora grande parte dos participantes tenha se manifestado pacificamente, diversos atos foram marcados por episódios de violência.

Em Paris, grupos entraram em confronto com policiais, que utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes. Lojas foram saqueadas e veículos incendiados.

Na cidade de Limoges, um incêndio atingiu gravemente o prédio histórico da prefeitura, provocando danos significativos à estrutura.

Em Lyon, um edifício ligado ao turismo também foi incendiado. Outras cidades registraram ataques a prédios públicos, depredações e confrontos durante as manifestações.

MORTE E FERIMENTOS GRAVES

Além dos agentes de segurança feridos, a imprensa internacional confirmou a morte de um manifestante que sofreu uma parada cardíaca em Paris.

Também foram registrados ferimentos graves entre participantes dos protestos.

Em Saint-Étienne, um manifestante perdeu uma das mãos após a explosão de um artefato policial. O episódio gerou novos questionamentos sobre os métodos utilizados pelas forças de segurança durante as manifestações.

As circunstâncias de incidentes envolvendo equipamentos de controle de multidões estão sendo investigadas pelas autoridades.

GOVERNO FRANCÊS CONDENA VIOLÊNCIA

O presidente Emmanuel Macron condenou os episódios de violência e defendeu a responsabilização dos envolvidos em ataques a pessoas e patrimônios públicos.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, atribuiu parte dos confrontos à atuação de grupos radicais e de pessoas que teriam aproveitado as manifestações para realizar saques.

Representantes dos movimentos sociais, por outro lado, criticaram a resposta policial e denunciaram possíveis excessos no uso da força.

A crise ocorre em um período de pressão política e econômica sobre o governo francês, poucos meses antes das eleições presidenciais previstas para 2027.

PROTESTOS TAMBÉM ATINGEM OUTROS PAÍSES EUROPEUS

A insatisfação com o aumento do custo de vida também motivou manifestações em outros países da Europa.

Portugal, Itália e Bélgica registraram mobilizações relacionadas a questões econômicas, condições de trabalho, educação e acesso à moradia.

Na França, novas manifestações poderão ocorrer nos próximos dias, enquanto autoridades avaliam os danos materiais e investigam os episódios de violência registrados durante o fim de semana.

📰 Fonte: g1 / Reuters / Associated Press / Le Monde
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